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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Zenaldo joga na rua 4 mil miseráveis, para abrigar famílias de baixa renda. Sucupira é aqui!




Parece piada de mau gosto, mas é verdade: o prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, mandou jogar na rua mais de quatro mil pessoas que ocupavam um terreno da Prefeitura. Tudo para construir um conjunto habitacional para famílias de baixa renda.

É ou não é uma história digna de Sucupira, esse “causo” protagonizado pelo ilustre prefeito Zenaldo Paraguaçu?

Como é que alguém pode jogar na rua quatro mil seres humanos – idosos, mulheres, crianças – para beneficiar pessoas igualzinhas a essas que foram despejadas?

O fato é tão impressionante, que levanta até a suspeita de que essa história de “conjunto habitacional”, naquele terreno, não passe de mais um lári-lári da Griffo. Ou, quem sabe, um conjunto para beneficiar só a quem votar no PSDB.

E quando é que será construído esse tal conjunto, se o prefeito Zenaldo Paraguaçu até pra tapar buraco diz que não tem dinheiro?

E como é que ficam esses quatro mil seres humanos, esses idosos, essas mulheres, essas crianças, que agora não têm nem mesmo um quartinho pra se abrigar?

Se eu fosse eles, acampava na porta do prédio do ZP, aquele prédio de bacana onde ele mora. Botava lá um monte de lona, um monte de cartazes e dizia: “olha o que o bacana do vizinho de vocês fez com a gente!”

Não pense que estou exagerando, não, leitor.

O fato aconteceu na última quarta-feira, 02, em um terreno de 50 mil metros quadrados, da Prefeitura de Belém, na avenida Quintino Bocaiúva com a Bernardo Sayão, no bairro do Jurunas.

A Prefeitura obteve, na Justiça, a reintegração de posse daquela área, que estava ocupada por 650 famílias de miseráveis.

A desocupação foi um horror: teve gente ferida, presa; gente chorando, clamando no meio da rua pela misericórdia Divina, enquanto a Polícia Militar e a Guarda Municipal destruíam aquelas casinhas de madeira, sem quase nada dentro, mas que aqueles seres humanos chamavam de Lar.

Está tudo no Diário do Pará do dia 03/08/2017, página A3, na bela reportagem das jornalistas Roberta Paraense e Emily Beckman.

De acordo com a matéria, a Prefeitura jura que vai cadastrar no Minha Casa, Minha Vida quem comprovar que não tem pra onde ir.

Quer dizer: depois de jogar essas pessoas na rua da amargura; de submetê-las a tamanha violência, humilhação e desespero, a Prefeitura vai cadastrá-las em um programa habitacional...

É ou não é coisa de quem acha que pode fazer todo mundo de otário?

Por que é que a Prefeitura não fez esse cadastramento antes de despejar essas pessoas?

Por que é que o Zenaldo não mandou os mais de 100 assessores dele levantarem a situação dessas pessoas, para que elas pudessem permanecer ali e receber uma casinha desse tal de conjunto habitacional?

Por que é que o Zenaldo não foi lá (tá com medo de povo é, Zenaldo?) e disse: olha, eu preciso desse terreno, pra fazer um conjunto, pra pessoas tão fumadas quanto vocês. Mas como eu sei da situação de vocês, vou separar um pedacinho desse terreno, arranjar madeira, e vocês vão se mudar pra esse pedacinho e fazer umas casinhas provisórias. Aí, a gente vai passar o pente-fino nos cadastros de vocês. E quem realmente não tiver pra onde ir, vai receber uma casinha nesse conjunto. E vocês vão até me ajudar, denunciando e impedindo que outras pessoas entrem aqui, depois desse cadastramento.

Isso não teria sido bem menos traumático, muito mais inteligente, e até muitíssimo mais humano?

Mas pra isso, caro leitor, o Zenaldo precisaria ter uma vivência que ele nunca teve: a vivência das pessoas que trabalham duro e honestamente, para conquistar cada pedacinho daquilo que possuem.

Quem trabalha, sabe o que é já ter estado sob a ameaça de não ter onde morar, ou até de não conseguir colocar comida na mesa.

Mas quem nunca trabalhou, quem sempre teve tudo de mãos beijadas, jamais saberá o que é a luta pela sobrevivência.

E tão chocante quanto a desumanidade cometida contra essas quatro mil pessoas é o fato de Zenaldo ter sido eleito, durante décadas, por diz-que possuir “preocupações sociais”.

Mas como diz a Bíblia, não há nada oculto que não venha a ser revelado; nenhuma máscara se mantém para sempre.

E bastou apenas um caso dramático como esse, para revelar quem é, de fato, o prefeito de Belém.


FUUUIIII!!!!!

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Quem prenderá o carcereiro?



 

Chega a ser comovente a “indignação” do procurador da República, Deltan Dallagnol, para quem a reforma mais importante a ser realizada no Brasil é a “Anticorrupção”. 

“Se este Congresso não fizer as reformas necessárias contra a corrupção, será uma confissão de incompetência e merecerá a vergonha dos crimes que o cobrem - com as honrosas exceções daqueles que estão lutando por essas mudanças. E a melhor coisa que a sociedade poderá fazer, além de protestar, será mostrar sua indignação nas urnas, colocando no Congresso em 2018 pessoas comprometidas com as transformações que queremos ver. Não roubarão nosso país de nós. Lutaremos por ele até o fim", escreveu ele, em seu Facebook, segundo a Folha de São Paulo, após a divulgação da notícia de que Temer teria sido gravado pela JBS, a falar sobre a compra do silêncio de Eduardo Cunha. 

Apesar de comovente, é também um bocado esquisita a indignação do procurador. 

Afinal, fica parecendo que são apenas os políticos brasileiros, e tão somente eles, os responsáveis pela corrupção que corrói este país. 

A coisa toda fica ainda mais estranha quando se recordam as declarações de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Carlos Barroso, durante uma palestra em Londres, no último dia 13. 

Segundo o jornal O Globo, o ministro afirmou que a impunidade criou um país de “ricos delinquentes”. 

“A verdade é que um direito penal absolutamente incapaz de atingir qualquer pessoa que ganhe mais de cinco salários mínimos criou um país de ricos delinquentes, em que a corrupção passou a ser um meio de vida para muitos e um modo de fazer negócios para outros. Houve um pacto espúrio entre iniciativa privada e setor público para desviar esses recursos. E não é fácil desfazer esse pacto. Qualquer pessoa que esteja assistindo o que se passa no Brasil pode testemunhar”, teria dito Barroso. 

Ora, a quem compete denunciar e punir os “delinquentes”? 

Se você não sabe, caro leitor (e parece até que não querem que você tenha clareza disso), quem denuncia os “delinquentes” à Justiça é o Ministério Público. E quem tem o poder de punir tais “delinquentes” é o Judiciário. 

Logo, se o Brasil chegou ao ponto em que chegou, o Ministério Público e o Judiciário têm, sim, enorme parcela de responsabilidade – e até maior do que a de muitos desses “delinquentes” que vemos por aí. 

Afinal, muitos desses “delinquentes” podem até ser considerados simples reflexos do nosso sistema político, que é centrado na promiscuidade entre o público e o privado. 

No entanto, a que atribuir a inércia do Ministério Público e do Judiciário, durante décadas a fio, em relação a tais “delinquentes”? 

Será que os nossos procuradores e magistrados, tão distraídos quanto a nossa “pátria mãe gentil”, nunca viram nada de errado em tamanha “delinquência”? 

Ou, ao verem tamanha “delinquência”, simplesmente calaram, tornando-se cúmplices dela? 

Se foi assim, o que os levou a essa cumplicidade? Foi de graça? Sério? 

Pelos discursos de alguns promotores e magistrados, fica-se com a impressão de que tudo isso começou agora. 

Não houve irregularidades na venda da Vale, nas empresas de telefonia, na Celpa, no Banestado – nada! É tudo de ontem! Ou, pelo menos, foi apenas ontem que “acordaram” os nossos “xerifes” e “carcereiros”. 

É preciso, sim, combater a corrupção – e essa tem que ser uma luta cotidiana de cada um de nós, a envolver, principalmente, uma mudança de mentalidade, de ética, em nossas próprias vidas. 

Chega de “jeitinho” e de incensar o canalha, o bandido, como “inteligência superior”! Chega de cobrar honestidade apenas do outro! 

Mas se a luta contra a corrupção começa em nossas próprias vidas e passa, necessariamente, por uma profunda reforma política, ela não se esgota aí. 

Também o nosso Ministério Público e o nosso Judiciário têm de ser alvos de profundas reformas, para que nunca mais se curvem, como se curvaram, à “delinquência”. 

Houvessem denunciado os “bandidos” e colocado os “bandidos” na cadeia, não teríamos nem precisado de uma lei como a “Ficha Limpa”, e o Brasil não teria chegado ao impasse que vemos hoje. 

Então, nossos “xerifes” e “carcereiros” têm de deixar de lado a hipocrisia, parando de apontar o dedão acusador apenas aos outros. 

Nossos políticos, nossos representantes, não emergiram do inferno, ou vieram de alguma galáxia distante. 

Eles foram eleitos – infelizmente! - graças a uma mentalidade que ainda predomina na sociedade brasileira e a um sistema político arcaico. Mas não são simplesmente “bandidos”. Até porque, ao dizê-los “bandidos”, teríamos que dizer “bandido” a todo o eleitorado brasileiro. 

Nossos representantes merecem, sim, respeito. E se há criminosos entre eles, que sejam afastados da vida pública. E não apenas por nós, eleitores. Mas por quem, desde sempre, detém a chave da carceragem! 

O que não dá é para continuar a criminalizar os políticos e a Política. 

Em primeiro lugar, porque, sem Política, a gente não consegue viver em um quarteirão que seja, sem se estapear com os vizinhos. 

Política não é só apertar uma tecla, para eleger representantes – ou até fiscalizá-los. 

Política é negociar, é tolerar, é conviver. 

E todos nós, queiramos ou não, fazemos Política todos os dias – desde a hora em que acordamos, até a hora em que vamos dormir. 

Ela está na escola, no trabalho, no sindicato, na vizinhança, nas ruas, na igreja - na nossa família! 

É a ferramenta mais vigorosa já inventada pela espécie humana, para que possamos viver em sociedade - onde, aliás, se realiza a nossa própria essência. 

E se alguns fazem mau uso da Política, especialmente, na seara partidária,  isso não significa que ela seja “ruim” ou “do mal”. 

Só aos aristocratas, aos oligarcas, aos “iluminados” é que interessa essa visão da Política como coisa “suja”. Porque aí eles podem exercer o “direito divino” que imaginam ter de dirigir as nossas vidas. 

Portanto, não são apenas os nossos políticos e o sistema político brasileiro que têm que entrar nessa “grande dança” anticorrupção. 

Todos temos que assumir a nossa parcela de responsabilidade. E, principalmente, os que sempre detiveram as chaves da carceragem. 

A “limpeza” tem que alcançar, também, o Ministério Público e o Judiciário. Também eles têm que cortar na própria carne – e não é só com um boi de piranha, um procuradorzinho eleitoral. 

Têm que cair todos os magistrados que sentam em cima de processos ou que entram em tenebrosas transações com os “delinquentes”. 

Têm que cair todos os promotores que olham para outro lado, quando dão de cara com uma improbidade. 

Se a luta é realmente contra a corrupção, então o “xerife” e o “carcereiro” têm que afastar, em primeiro lugar, o espírito de corpo. 

Além de pararem com esse faz de conta sonso e messiânico de nunca souberam do que se passava no Brasil. 

FUUUIIIII!!!!

segunda-feira, 24 de abril de 2017

BRT de Jatene custará o dobro de Manaus e da Augusto Montenegro, e o triplo de Las Vegas. Por incrível que pareça, até empatará com o gigantesco Transcarioca, que tem capacidade para 300 mil passageiros por dia. Turbinagem é tão grande que serão construídas mais 7 estações na Almirante Barroso, já lotada de estações do BRT da Prefeitura. Centro de Controle Operacional será "construído" no antigo Palácio dos Despachos. Perereca superfatura preços, mas não consegue alcançar valor anunciado pelo governador, para o seu BRT: R$ 530 milhões, para apenas 10,75 km de extensão. Ou inacreditáveis R$ 50 milhões por km.

A rica e sensacional cidade de Las Vegas, nos EUA...


 
...A ponte estaiada da Barra da Tijuca, do gigantesco BRT Transcarioca...


...E a pobre e maltratada Belém. Mas BRT de Jatene será o mais caro (Foto: Antonio Cícero/AG).
 


É incrível, mas verdadeiro: o BRT Metropolitano,  que o governador Simão Jatene pretende começar a construir ainda neste ano, custará inacreditáveis R$ 50 milhões por quilômetro, o que é o dobro dos BRTs de Manaus e de Brasília, e até do BRT da Augusto Montenegro,  que está sendo executado pela Prefeitura de Belém.

O BRT de Jatene também custará, por quilômetro, o triplo dos BRTs de Florianópolis (Santa Catarina), Goiânia (Goiás), Palmas (Tocantins), Porto Alegre (Rio Grande do Sul) e Fortaleza (Ceará). Será, ainda, 8 vezes mais caro do que o de Recife (Pernambuco).

Por incrível que pareça, o custo por quilômetro do BRT de Jatene praticamente empatará com o gigantesco Transcarioca, do Rio de Janeiro, que entrou em operação em junho de 2014, para a Copa do Mundo, e possui capacidade para 300 mil passageiros por dia.

E mais: o BRT de Jatene também custará, por quilômetro, o triplo de dois BRTs da rica cidade de Las Vegas, nos Estados Unidos: o MAX (Metropolitan Area Express) e o SX (Sahara Express). 


Sem medo de ser feliz 

Segundo a Wikipédia, a cidade de Las Vegas, cuja região metropolitana alcança 1,9 milhão de habitantes, já possuía, em 2000, uma renda per capita de 22.060 dólares.

Já a renda per capita média do Pará, de R$ 708, foi a terceira pior do Brasil, no ano passado, à frente apenas dos estados de Alagoas e Maranhão.



No entanto, foi Las Vegas, e não Pará, quem decidiu economizar com o BRT.

Em Las Vegas, o BRT MAX (Metropolitan Area Express), com 12,07 km de extensão, foi inaugurado em 2004. Já o SX (Sahara Express), com 36,50 km, foi inaugurado em 2012.

Mas cada um custou, segundo o site BRT Data, menos de 5 milhões de dólares por km (ou R$ 15 milhões ao câmbio atual), já incluindo, além do corredor de tráfego, a infraestrutura específica, como é o caso das estações.


Já o valor anunciado pelo governador Simão Jatene para o BRT Metropolitano, que terá apenas 10,75 quilômetros, é de R$ 530 milhões, ou quase R$ 50 milhões por km (16,5 milhões de dólares por km), ou mais que o triplo do que foi gasto em Las Vegas.

Confira no quadrinho a notícia da Agência Pará, a central de informações do governador, sobre o custo e tamanho do BRT Metropolitano (clique em cima para ampliar): 




O “empate” com o gigantesco Transcarioca 

Tão o mais impressionante é que o custo, por quilômetro, do BRT de Jatene praticamente empatará com o Transcarioca, do Rio de Janeiro.

O Transcarioca tem 39 quilômetros de extensão e o valor mais alto que se atribui a ele, em vários sites pesquisados pela Perereca, é de R$ 2 bilhões, incluindo as desapropriações.

Isso significa que, mesmo usando no cálculo o valor mais alto, o Transcarioca ficou em R$ 51,2 milhões por km – apenas R$ 1,2 milhão a mais, por km, do que o BRT de Jatene (ou algo em torno de 2%).

Só que a diferença entre as duas obras é gritante.

O BRT de Jatene terá 26 estações, 2 terminais de integração, 13 passarelas para travessia de pedestres, 1 viaduto de quatro pétalas e um Centro de Controle Operacional.

Já o Transcarioca tem 10 viadutos (um deles estaiado), 9 pontes (duas estaiadas), 3 mergulhões, 45 estações e 5 terminais de integração. Só a ponte estaiada da Barra da Tijuca, com 900 metros de extensão, custou R$ 120 milhões.

Segundo a prefeitura do Rio, a obra consumiu 21 toneladas de aço (equivalentes ao peso de 18 estátuas do Cristo Redentor); e 270 mil metros cúbicos de concreto (o suficiente para construir três estádios do Maracanã).

Veja um vídeo de 2012 sobre o impressionante Transcarioca: https://www.youtube.com/watch?v=RsJ5YH5zcNc 

Ou assista abaixo: 


 


Aqui você lê sobre a inauguração do Transcarioca: http://www.rio.rj.gov.br/web/smo/exibeconteudo?id=4797555 

E a inauguração da ponte estaiada da Barra da Tijuca: http://www.rio.rj.gov.br/web/guest/exibeconteudo?id=4524006 

Ou clique nos quadrinhos abaixo:


 



Mais detalhes sobre aquele impressionante BRT.  
Aqui: http://infraestruturaurbana.pini.com.br/solucoes-tecnicas/Transporte/unica-obra-de-mobilidade-urbana-para-a-copa-brt-transcarioca-313025-1.aspx 
E aqui: http://www.cidades.gov.br/component/content/article?id=4937 


O dobro de Manaus e até 
da Augusto Montenegro


Há mais, porém. Se a estimativa de Jatene se confirmar, o BRT Metropolitano também ficará entre os mais caros do Brasil e será “exemplar” até para os padrões “orçamentários” dos tucanos, digamos assim.

Em Manaus (AM), a estimativa mais recente do prefeito Arthur Virgílio Neto (PSDB) é de R$ 1,2 bilhão para os 50 quilômetros de BRT que cortarão a cidade de Norte a Sul e de Leste a Oeste - o que dá R$ 24 milhões por km.

Leia aqui: http://www.manaus.am.gov.br/2016/11/01/implantacao-do-brt-e-prioridade-na-gestao-diz-arthur/ 

Ou clique nos quadrinhos abaixo:  






Na página 34 dos anexos do Plano de Mobilidade de Manaus, que foi aprovado em dezembro de 2015, há, inclusive, uma estimativa de preços para a implantação de um BRT: R$ 27 milhões por km. Veja no quadrinho abaixo: 




Clique aqui para ler todo o plano:http://smtu.manaus.am.gov.br/ 

E mais: em 2012, o BRT de Manaus previsto para a Copa do Mundo, e que não saiu do papel, deveria custar R$ 290 milhões, para 23 quilômetros (R$ 12,6 milhões por km).

Já o BRT que o prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho (também do PSDB), executa na rodovia Augusto Montenegro ficará em R$ 290 milhões, aí incluído um aditivo superior a R$ 20 milhões, de dezembro passado. E como terá 13,90 quilômetros, o seu custo por km será de R$ 21 milhões, ou menos da metade do BRT Metropolitano.

Veja o aditivo que elevou o valor do contrato do BRT de Zenaldo para mais de R$ 290 milhões:






Mais caro que Florianópolis, Recife, Fortaleza, Goiânia, Brasília, Palmas e Porto Alegre.


 
Veja outros BRTs que também custarão bem menos do que o BRT de Jatene. Alguns ficarão em um terço do Metropolitano de Belém: 


Florianópolis 
Em Florianópolis, informa a assessoria de comunicação do Governo de Santa Catarina, o BRT Metropolitano terá 87 quilômetros de extensão. O custo total será de R$ 1,4 bilhão (já incluídos R$ 300 milhões em indenizações), o que dá pouco mais de R$ 16 milhões por km.
Na primeira fase, serão executados 57,5 km de vias e faixas exclusivas, com 36 estações, 4 terminais de integração, 76 paradas. Haverá um Centro de Controle Operacional, vigilância eletrônica, plataformas com portas automáticas, informações em tempo real aos usuários e wi-fi gratuito nos ônibus, paradas, estações e terminais.
Será implantado em parceria com a iniciativa privada, a responsável pela execução e manutenção de toda a infraestrutura. Além de Florianópolis, atenderá mais três municípios e terá 400 mil usuários por dia. 


Recife 
Em Recife, no estado de Pernambuco, o BRT “Via Livre” Norte-Sul começou a operar em 2014, mas ainda está parcialmente concluído. Atenderá 8 cidades e mais de 155 mil pessoas por dia. Terá 33 quilômetros e ficará em R$ 180 milhões – ou seja, menos de R$ 6 milhões por km.
Veja no quadrinho abaixo as informações sobre o BRT Norte-Sul no site BRT Brasil:



E aqui, no site Grande Recife:



Já o BRT Leste-oeste, também prometido para a Copa de 2014, está mais atrasado.

Leia a reportagem do jornal Diário de Pernambuco, de julho do ano passado: http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/vida-urbana/2016/07/20/interna_vidaurbana,656088/brt-sera-ampliado-no-proxomo-ano.shtml 


Fortaleza 
Em Fortaleza, no estado do Ceará, quatro BRTs em construção (avenidas Dedé Brasil, Paulino Rocha, Alberto Craveiro e Raul Barbosa) somam 20 quilômetros de extensão e estão orçados em 232,4 milhões – ou menos de R$ 12 milhões por km. O projeto prevê até a construção de tuneis.

Veja aqui: 



Leia, também, a matéria do jornal O Estado do Ceará, de abril de 2014, sobre as obras: http://www.oestadoce.com.br/geral/quatro-das-cinco-obras-para-copa-do-mundo-serao-entregues-ate-maio 


Goiânia 
Em Goiânia, capital de Goiás, está sendo construído o corredor Norte-Sul, com 38 estações, 7 terminais e capacidade para 12 mil passageiros por hora.
São duas, porém, as extensões desse corredor que circulam na internet: 21,8  e 27 quilômetros. E dois, também, os preços totais – o mais alto é R$ 340 milhões.
No entanto, mesmo dividindo o valor mais alto pela menor extensão, o custo será inferior a R$ 16 milhões por km.
As obras, porém, estão paradas desde outubro do ano passado, por falta de dinheiro da prefeitura.
Leia aqui: http://www.opopular.com.br/editorias/2.234055/obras-dos-corredores-de-%C3%B4nibus-na-avenida-t-7-e-o-brt-norte-sul-devem-ser-retomadas-1.1251155 
Aqui: http://www.opopular.com.br/editorias/2.234055/brt-norte-sul-%C3%A9-inc%C3%B3gnita-1.1228114 
Aqui: http://www.opopular.com.br/editorias/politica/iris-pretende-mudar-brt-e-evitar-centro-1.1228911 
Veja o vídeo de 2013 que detalha as obras: https://www.youtube.com/watch?v=QO2YmoiIJIk 


Brasília 
Com 8 estações e 2 terminais, o expresso DF Sul, em Brasília, figura com duas extensões na internet: 36,2 e 43,8 quilômetros. São vários, também, os valores que circulam, na rede, para as obras. 
Mas a Assessoria de Comunicação do Distrito Federal garante que elas ficaram em R$ 704.709.866,75 e que o BRT tem 27,5 quilômetros.
Teria ficado, portanto, em R$ 25,6 milhões por km.
A primeira fase foi inaugurada em 2014 e, segundo a Assessoria, ele transporta 95 mil pessoas por dia, atendendo as regiões do Gama, Santa Maria e Park Way com destino à Brasília.
Foram construídos 5 viadutos para o BRT, em valor superior a R$ 2 milhões, somados, além de duas trincheiras de 100 metros, que custaram R$ 775 mil – informa, ainda, a assessoria.
Leia mais aqui: http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2014/06/sem-prazo-para-funcionar-agnelo-inaugura-1-fase-do-expresso-df-sul.html 


Palmas 
Em Palmas, no estado do Tocantins, o BRT está orçado em quase R$ 454,5 milhões, para 35 quilômetros de extensão – o que dá quase R$ 13 milhões por km.
No entanto, o Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou a paralisação da obra por considerá-la “fora da realidade” e que poderá causar um prejuízo de R$ 227 milhões aos cofres públicos.
Em maio do ano passado, a Justiça Federal já havia considerado esse BRT hiperdimensionado: a demanda prevista pela Prefeitura, de 89 mil passageiros por dia, seria superior a de Paris, capital da França (Palmas tem menos de 280 mil habitantes).
O Ministério Público Federal (MPF) pediu, e obteve, o bloqueio das verbas. A Polícia Federal investiga suposta fraude na licitação.
Leia aqui: http://g1.globo.com/to/tocantins/noticia/2017/03/auditoria-diz-que-brt-de-palmas-e-ilegal-e-esta-fora-da-realidade-local.html  
Aqui: http://g1.globo.com/to/tocantins/noticia/2016/05/justica-federal-considera-ilegal-todo-o-projeto-do-brt-de-palmas.html 
E aqui: http://g1.globo.com/to/tocantins/noticia/2016/11/pf-faz-operacao-e-cumpre-mandados-na-casa-do-prefeito-de-palmas.html 


Porto Alegre 
Em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, a estimativa mais alta localizada pela Perereca para os 3 BRTs em construção (Protásio Alves, João Pessoa e Bento Gonçalves) está no portal da Transparência da prefeitura.
Consta que terão 17,2 quilômetros de extensão e ficarão em quase R$ 213,3 milhões, já incluídas desapropriações e sistema de monitoramento.
O custo será, portanto, inferior a R$ 13 milhões por km.
Clique no quadrinho para ver o valor total das obras:



E confira a extensão e detalhes da execução: http://www.obrasdemobilidadeurbana.com.br/obras

 
BRT de Jatene encolheu. 
Mas o preço até aumentou. 


O BRT de Jatene faz parte do “Ação Metrópole”, programa executado pelo Governo do Estado, com financiamento da JICA, a agência de cooperação internacional do Japão.

Em 17 de abril de 2011, o jornal Diário do Pará publicou reportagem na qual o coordenador geral do Ação Metrópole, César Meira, informou que o corredor de BRT da Almirante Barroso e BR 316 estava orçado em R$ 480 milhões.

Meira não disse, mas já se sabia, à época, que esse corredor teria uma extensão de 27 quilômetros, desde o centro de Belém até Marituba.

Veja no quadrinho abaixo: 



Só que, no ano eleitoral de 2012, o então prefeito, Duciomar Costa, resolveu executar o “seu” BRT, na Almirante Barroso. 

A obra foi embargada várias vezes pela Justiça, porque não tinha nem projeto, nem financiamento.

Mas com toda a confusão que gerou, os BRTs da Almirante Barroso e do centro de Belém acabaram sob a responsabilidade da Prefeitura, com recursos provenientes do Governo Federal.

Com isso, o BRT do Governo do Estado, financiado pela JICA, “encolheu” para os 10,75 km que vão do Entroncamento até Marituba.

Mas o valor acabou estimado em R$ 530 milhões, apesar de ter “perdido” os 17 km da Almirante Barroso e do centro de Belém. Dá para entender?

No entanto, a coisa toda fica ainda pior quando se examina o último estudo da JICA sobre o Ação Metrópole, realizado em 2009, a pedido do Governo do Estado.

Nele, o custo para a construção de uma via de BRT é estimado em 4 a 5 milhões de dólares por quilômetro (ou R$ 15 milhões, ao câmbio atual).

A informação está na página 1 do capítulo 5 do “Relatório do Ação Metrópole”, que pode ser acessado no site do Núcleo de Gerenciamento do Transporte Metropolitano (NGTM): http://www.ngtm.com.br/site/index.php/downloads/cat_view/7-relatorio-acao-metropole-a4 

Ou veja no quadrinho abaixo:




E todo o sistema de BRTs de Belém e Região Metropolitana (incluindo a faixa exclusiva da Almirante Barroso; canaletas na Augusto Montenegro e BR 316; faixas preferenciais no centro de Icoaraci e centro expandido de Belém; terminais de Ananindeua, Marituba e Icoaraci; requalificação do terminal de São Brás; estações do Tapanã e Mangueirão e 40 pontos de paradas), ficaria em 223,2 milhões de dólares, ou R$ 513,4 milhões, no câmbio da época (R$ 824 milhões em valores atualizados pelo IPCA-E de fevereiro).

A informação está na página 8 do capítulo 6 do mesmo relatório.

Veja no quadrinho abaixo: 



Ao fim e ao cabo, porém, só na BR 316 e na Augusto Montenegro o BRT deverá consumir pelo menos R$ 820 milhões, fora os mais de R$ 300 milhões torrados na Almirante Barroso e os R$ 140 milhões que a Prefeitura pretende investir em um corredor de BRT de Icoaraci ao centro de Belém. 

Leia a matéria publicada, em 2015, pelo jornal O Liberal. Repare que nenhum dos BRTs previstos para Belém chega nem perto do preço do BRT de Jatene:  https://drive.google.com/file/d/0B8xdLmqNOJ12clNGOEVJZXBfUXM/view?usp=sharing 



A impressionante turbinagem
 do BRT Metropolitano
 
O viaduto de "quatro pétalas" do Trevo das Mangabeiras (PB)


Pelo estudo da JICA de 2009, a implantação do BRT da BR 316 (mais os terminais de Ananindeua e Marituba e 8 paradas específicas), ficaria em 73,6 milhões de dólares, ou R$ 169 milhões ao câmbio da época (R$ 272 milhões em valores corrigidos).

Para justificar os R$ 530 milhões em que Jatene calcula, hoje, o BRT Metropolitano, foram acrescentadas várias obras: um viaduto de quatro pétalas, no km 6,5 da BR; “túneis” de acesso aos terminais de Ananindeua e Marituba; um Centro de Controle Operacional, 13 passarelas, para travessia de pedestres, e mais 18 estações, totalizando 26.

Veja essa publicação do NGTM, de junho de 2015, sobre o BRT Metropolitano: https://drive.google.com/file/d/0B8xdLmqNOJ12anRLb1cxUE1IWW8/view?usp=sharing 

Leia o documento “requisitos de obras”, que integra o edital de licitação do BRT Metropolitano. Repare que a turbinagem é tão impressionante que Jatene prevê até construir mais 7 estações na Almirante Barroso, já lotada de estações de BRT. Uma delas ficará na Tavares Bastos, onde a Prefeitura também construirá uma grande estação de BRT. Além disso, outras obras serão realizadas na Almirante Barroso: https://drive.google.com/file/d/0B8xdLmqNOJ12SUo1VmY4OGpuRzQ/view?usp=sharing 

E veja, no quadrinho abaixo, a última alteração do valor de referência da licitação, que acabou superior a R$ 532 milhões:


O problema é que, mesmo com toda essa turbinagem, a conta não fecha.

O viaduto Daniel Berg, que foi inaugurado em maio de 2010, no cruzamento das avenidas Júlio Cesar e Pedro Álvares Cabral e tem “quatro pétalas”, custou R$ 23 milhões – ou R$ 35 milhões atualizados.

Veja a matéria das ORM sobre a inauguração do complexo viário da Júlio Cesar, em 2010:

Em João Pessoa (PB), o Trevo das Mangabeiras, que inclui um viaduto de “quatro pétalas” e foi inaugurado em agosto de 2015, ficou ainda mais barato: R$ 26 milhões, ou R$ 29 milhões corrigidos.

Veja aqui: http://paraiba.pb.gov.br/ricardo-inaugura-trevo-das-mangabeiras-nesta-segunda-feira/ 

Já o centro de controle operacional de Belo Horizonte (MG), que é considerado modelo e funciona em um prédio de três andares e 3 mil metros quadrados, custou, em 2014, na maior estimativa, R$ 38 milhões – ou R$ 46 milhões corrigidos (na internet, há um valor ainda mais baixo: pouco mais de R$ 31 milhões).

Veja aqui: http://www.bhtrans.pbh.gov.br/portal/page/portal/portalpublico/Temas/Noticias/COP-110614 

Só que o centro que será “construído” por Jatene terá 1.479,90 metros quadrados e ficará – vejam só – no antigo Palácio dos Despachos (rodovia Augusto Montenegro, km 9, número 5854), onde hoje funciona o Comando Geral da Polícia Militar. Daí que essa “construção” (ou seria reforma?) não deverá consumir tanto dinheiro, pois não?

Veja parte do memorial descritivo do centro de controle operacional, que consta no edital de licitação do BRT Metropolitano. Repare nas dimensões: sala de controle para 56 funcionários e sala de imprensa para 82 pessoas. Clique no quadrinho:


No caso das 18 estações acrescentadas por Jatene, a melhor comparação é com aquelas que a Prefeitura de Belém vem construindo para o BRT da Almirante Barroso. O valor de referência da licitação, realizada no ano passado, foi de pouco mais de R$ 19,4 milhões, para 12 estações, mais a estação da Tavares Bastos e o canteiro e administração das obras.

Veja aqui: 



Se retirar daí a estação da Tavares Bastos e somar ao resultado 50% do que sobrou, chega-se a pouco mais de R$ 24,3 milhões, dinheiro mais do que suficiente para essas 18 estações. Mas vamos considerar que venham a custar R$ 30 milhões.

Já as passarelas metálicas para a travessia de pedestres não chegam, na internet, nem a R$ 3 milhões cada.

Veja a passarela da BR 230, na Região Metropolitana de João Pessoa, que custou R$ 993.033,19, em 2013 (R$ 1,3 milhão atualizado): http://paraiba.pb.gov.br/ricardo-inaugura-passarela-da-br-230-no-renascer-nesta-quarta-feira/ 

Aqui, a passarela instalada, também, em 2013, na rodovia SP 332, em Campinas, que custou R$ 1,5 milhão (R$ 1,940 milhão corrigido): http://www.portaldepaulinia.com.br/home/noticias-de-paulinia/cidade/22689-rodovia-professor-zeferino-vaz-ganha-nova-passarela.html 

E aqui as 4 passarelas instaladas, em 2013, na SP 101, que ficaram em R$ 2 milhões (R$ 2,6 milhões atualizados). Aqui: http://www.rodoviasdotiete.com.br/noticia/215/rodovias-do-tiete-constroi-seis-passarelas 

Mas ainda que custem R$ 4 milhões cada, as 13 previstas para a BR 316 (que, aliás, já possui várias passarelas) ficarão em R$ 52 milhões.

E ainda que se considere R$ 17 milhões para os “túneis” dos terminais de Ananindeua e Marituba (o que é absurdo, já que esse valor corresponde à metade de um viaduto e, além disso, esses “túneis” não passam de  passagens inferiores de acesso apenas aos terminais), ainda assim, tudo ficaria em cerca de R$ 450 milhões.

Ou seja: ainda faltariam mais de R$ 80 milhões para se chegar aos R$ 530 milhões previstos por Jatene, mesmo com essa “planilha de preços” já superfaturada, “de grátis”, pela Perereca. 

Confira:

BRT da BR 316 com 8 paradas e terminais de Ananindeua e Marituba – preços JICA/2009, atualizados (IPCA-E fevereiro): R$ 272.013.986,51

Mais 18 paradas: R$ 30 milhões

Viaduto: R$ 40 milhões

Centro de Controle Operacional: R$ 30 milhões

Passarelas: R$ 52 milhões

Túneis (passagens inferiores): R$ 17 milhões

Total: R$ 441.013.986,51



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A matéria acima, com vários acréscimos e alterações de texto, foi publicada no jornal Diário do Pará e no DOL